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quinta-feira, 11 de abril de 2013

Carta - Carta do leitor - Carta Argumentativa - Carta comercial - Carta de informação - Carta de Reclamação - Carta de solicitação - Redação



Carta

Cartas pessoais é uma das opções existentes.

Quando queremos solicitar algo para alguém ou responder uma solicitação, fazer uma declaração de amor, despedirmo-nos, argumentar algo que foi dito, escrever diretamente a um leitor de revista ou jornal, contar novidades para o amigo que mora distante, fazer uma comunicação de um fato...ali está a carta!

Essa forma de produção textual existe desde que o homem necessita de comunicação à distância ou, mais precisamente, desde as inscrições rupestres, as quais eram cartas em forma de símbolos.

Aqui no Brasil, temos a carta-registro de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal Dom Manuel I, relatando o descobrimento das novas terras.

As cartas ditas “sociais” eram mais comuns antes do advento da tecnologia. No entanto, com a evolução da informática, hoje temos o e-mail, veículo de informação que transporta vários tipos de cartas a todo o momento.

Atualmente, é muito difícil encontrar pessoas que troquem correspondências escritas à mão. Ao contrário, elas se falam por meio do correio eletrônico, que não precisa nem mesmo de selo, ou seja, de ser pago.

Nessa seção você encontrará as características dos diversos tipos de carta: comercial, pessoal, formal, informal, de amor, de despedida, argumentativa, ao leitor, resposta.



A Carta do leitor

A carta do leitor é uma maneira de fazer parte da opinião pública!

Você já observou que nos jornais e revistas há um espaço reservado para que a opinião dos leitores seja publicada?

Estamos falando das cartas dos leitores, as quais mostram opiniões e sugestões; debatem os argumentos levantados nos artigos e fazem críticas a respeito; trazem perguntas, reflexões, elogios, incentivos, etc.

Para o leitor é o meio de expor seu ponto de vista em relação ao assunto lido, para o veículo de informação é uma arma publicitária para saber o que está agradando a opinião pública.

Não há regras estabelecidas para se fazer uma carta no estilo “carta do leitor”, a não ser as que já são preconizadas, ou seja, recomendadas ao escrevermos a alguém: especifique o assunto e seja breve; trace previamente o objetivo da carta (opinar, sugerir, debater); escreva em uma linguagem clara, precisa e nunca faça uso de palavras de baixo calão, pois sua carta não será publicada!

O objetivo do leitor ao escrever uma carta para um jornal da cidade ou uma revista de circulação nacional é tornar pública sua ideia e se sentir parte da informação. A carta do leitor é tão importante que pode ser fonte para uma nova notícia, uma vez que ao expor suas considerações a respeito de um assunto, o destinatário pode acrescentar outros fatos igualmente interessantes que estejam acontecendo e possam ser abordados!

Deve-se ter muito cuidado ao redigir uma carta, pois será lida por muitas pessoas. Por isso, revise o texto e observe com atenção se há clareza nas frases, se os períodos não estão muito longos e se não há repetições de ideias ou palavras, se há erros de pontuação e grafia.

Importante: Não se preocupe apenas em dizer o que pensa, o que acha, mas dê seu ponto de vista sempre explicando com muito cautela, e se expuser fatos, tenha certeza que são verdadeiros.



Carta Argumentativa

Com o advento da internet e dos recursos tecnológicos de uma maneira geral, a forma de comunicação entre as pessoas mudou consideravelmente. Antigamente, era muito usual utilizar-se de cartas, telegramas, cartões postais para se comunicar com pessoas que ora encontravam-se distantes.

Atualmente existe e-mail, MSN, ORKUT, e tantos outros que possibilitam a comunicação em tempo real. Entretanto, a carta argumentativa ainda continua sendo um veículo de comunicação muito importante e muito requisitado nos concursos e provas de vestibulares.

Para entendermos sobre a sua parte estrutural, é importante lembrarmos que, como o próprio diz, nos lembra a questão de exposição de ideias, ou seja, o emissor deve persuadir o interlocutor através do seu ponto de vista sobre determinado assunto. E logo, a linguagem deverá ser clara, coesa e objetiva.
A única diferença é que na carta há uma interlocução explícita, ou seja, ela é destinada a um ou mais destinatários de forma específica.
O grau de formalidade dependerá do nível de intimidade estabelecido entre os interlocutores.

Para entendermos melhor esse processo é necessário fazer a distinção entre uma carta destinada ao prefeito de sua cidade requisitando melhorias no setor de pavimentação das ruas, e uma ao presidente de seu bairro, sugerindo melhoria na qualidade do som durante as reuniões.
Neste caso, fica evidente o grau de formalismo.

Vejamos agora um exemplo deste gênero textual, que é a carta, em uma crônica de Moacyr Scliar:

(Nome da cidade e data)
(O vocativo, ou seja, a pessoa a quem é endereçada a carta)

PREZADOS SENHORES,

Uns amigos me falaram que os senhores estão para destruir 45 mil pares de tênis falsificados com a marca Nike e que, para esse fim, uma máquina especial já teria até sido adquirida. A razão desta cartinha é um pedido. Um pedido muito urgente.
Antes de mais nada, devo dizer aos senhores que nada tenho contra a destruição de tênis, ou de bonecas Barbie, ou de qualquer coisa que tenha sido pirateada. Afinal, a marca é dos senhores, e quem usa essa marca indevidamente sabe que está correndo um risco. Destruam, portanto. Com a máquina, sem a máquina, destruam. Destruir é um direito dos senhores.
Mas, por favor, reservem um par, um único par desses tênis que serão destruídos para este que vos escreve. Este pedido é motivado por duas razões: em primeiro lugar, sou um grande admirador da marca Nike, mesmo falsificada. Aliás, estive olhando os tênis pirateados e devo confessar que não vi grande diferença deles para os verdadeiros.
Em segundo lugar, e isto é o mais importante, sou pobre, pobre e ignorante. Quem está escrevendo esta carta para mim é um vizinho, homem bondoso. Ele vai inclusive colocá-la no correio, porque eu não tenho dinheiro para o selo. Nem dinheiro para selo, nem para qualquer outra coisa: sou pobre como um rato. Mas a pobreza não impede de sonhar, e eu sempre sonhei com um tênis Nike. Os senhores não têm ideia de como isso será importante para mim. Meus amigos, por exemplo, vão me olhar de outra maneira se eu aparecer de Nike. Eu direi, naturalmente, que foi presente (não quero que pensem que andei roubando), mas sei que a admiração deles não diminuirá: afinal, quem pode receber um Nike de presente pode receber muitas outras coisas. Verão que não sou o coitado que pareço.
Uma última ponderação: a mim não importa que o tênis seja falsificado, que ele leve a marca Nike sem ser Nike. Porque, vejam, tudo em minha vida é assim. Moro num barraco que não pode ser chamado de casa, mas, para todos os efeitos, chamo-o de casa.
Uso a camiseta de uma universidade americana, com dizeres em inglês, que não entendo, mas nunca estive nem sequer perto da universidade – é uma camiseta que encontrei no lixo. E assim por diante.
Mandem-me, por favor, um tênis. Pode ser tamanho grande, embora eu tenha pé pequeno. Não me desagradaria nada fingir que tenho pé grande. Dá à pessoa uma certa importância. E depois, quanto maior o tênis, mais visível ele é. E, como diz o meu vizinho aqui, visibilidade é tudo na vida.


Atenciosamente – (despedida formal)

(O nome do emissor, isto é, a pessoa que enviou a carta)



Carta comercial

A carta comercial, também chamada de correspondência técnica, é um documento com objetivo de se fazer uma comunicação comercial, empresarial.

A redação comercial tem como características comuns:

a) clareza: o texto, além de ser claro, deve ser objetivo, como forma de evitar múltiplas interpretações, o que prejudica os comunicados e negócios.

b) estética: a fim de causar boa impressão, o texto deve estar bem organizado e dentro da estruturação cabível. Não pode haver rasuras ou “sujeiras” impregnadas ao papel.

c) linguagem: seja conciso e objetivo: passe as informações necessárias, sem ficar usufruindo de recursos estilísticos. Seja impessoal, ou seja, não faça uso da subjetividade e de sentimentalismo. E por fim, escreva com simplicidade, mas observando a norma culta da língua.

É muito importante que haja correção, pois um possível equívoco pode gerar desentendimento entre as partes e possíveis prejuízos de ordem financeira.

Como fazer uma carta comercial? Vejamos a estrutura que deve ser seguida:

1º passo: O papel deve ter o timbre e/ou cabeçalho, com as informações necessárias (nome, endereço, logotipo da empresa). Normalmente, já vem impresso.

2º passo: Coloque o nome da localidade e data à esquerda e abaixo do timbre. Coloque vírgula depois do nome da cidade! O mês deve vir em letra minúscula, o ano dever vir junto (2008), sem ponto ou espaço. Use ponto final após a data.

3º passo: Escreva o nome e o endereço do destinatário à esquerda e abaixo da localidade e data.

4º passo: Coloque um vocativo impessoal: Prezado(s) Senhor(Senhores), Caro cliente, Senhor diretor, Senhor Gerente, etc.

5º passo: Inicie o texto fazendo referência ao assunto, tais como: “Com relação a...”, “Em atenção à carta enviada..”, “Em atenção ao anúncio publicado...”, “Atendendo à solicitação...”, “Em cumprimento a...”, “Com relação ao pedido...”, “Solicito que...”, “Confirmamos o recebimento”, dentre outras.

Observação: Evite iniciar com “Através desta”, “Solicito através desta”, “Pela presente” e similares, pois são expressões pleonásticas, uma vez que está claro que o meio de comunicação adotado é a carta.

6º passo: Exponha o texto, como dito anteriormente, de forma clara e objetiva. Pode-se fazer abreviações do pronome de tratamento ao referir-se ao destinatário: V.Sª.; V. Exa.; Exmo.; Sr.; etc.

7º passo: Corresponde ao fecho da carta, o qual é o encerramento da mesma. Despeça-se em tom amigável: Cordialmente, Atenciosamente, Respeitosamente, Com elevado apreço, Saudações cordiais, etc.

Observação: Evite terminar a carta anunciando tal fato (Termino esta) ou de forma muito direta (Sem mais para o momento, despeço-me).

Modelo de carta comercial

Loja da Maria

Maria e Cia. Ltda.
Comércio de utensílios
Av. João, 1000
Goiânia – GO
Goiânia, 03 de março de 2008.
Ao diretor
Joaquim Silva
Rua das Amendoeiras, 600
Belo Horizonte – MG


Prezado Senhor:

         Confirmamos ter recebido uma reivindicação de depósito no valor três mil reais referente ao mês de fevereiro. Informamo-lhe que o referido valor foi depositado no dia 1º de março, na agência 0003, conta corrente 3225, Banco dos empresários. Por favor, pedimos que o Sr. verifique o extrato e nos comunique o pagamento. Pedimos escusas por não termos feito o depósito anteriormente, mas não tínhamos ainda a nova conta bancária.
         Nada mais havendo, reafirmamos os nossos protestos de elevada estima e consideração.
Atenciosamente,

Amélia Sousa
Gerente comercial






Carta de informação

A carta de informação está inserida dentro do contexto comercial, pois, normalmente, é trocada entre departamentos de uma mesma empresa ou entre empresa e seus representantes e fornecedores.

O objetivo deste canal de comunicação faz referência à sua própria denominação: informar o destinatário sobre alguma coisa.

Veja um exemplo:

Estimados Senhores,

Comunicamos-lhes que no dia 03 do corrente mês haverá uma reunião dos departamentos financeiro e contábil com a diretoria. Na ocasião, haverá premiação aos melhores vendedores, bem como do contador mais organizado. Por este motivo, as outras seções estão convidadas a prestigiar os colegas a partir das 9 horas da manhã, na sala de reuniões.

Agradecemos-lhes a atenção.



Cordialmente,


Diretoria da X2 empresa de cosméticos.



Carta de Reclamação

A carta de reclamação é utilizada quando o remetente descreve um problema ocorrido a um destinatário que pode resolvê-lo. É considerado um texto persuasivo, pois o interlocutor tenta convencer o receptor da mensagem a encontrar uma solução para o problema apontado na carta.

Por este motivo, quem reclama deve se utilizar de um discurso argumentativo: descrevendo de maneira clara o(s) problema(s), motivo(s) pelo qual pode ter ocorrido, as consequências se não for resolvido. A exposição dos fatos deve comprovar que o remetente é quem tem razão, o qual pode ainda, apontar as possíveis soluções para que haja entendimento entre as partes.

É essencial que a carta de reclamação tenha: identificação do remetente e do destinatário, data e local, assinatura, documentos em anexo (caso necessário).

Lembre-se de expor claramente os antecedentes, pois neles estão os motivos pelos quais a reclamação está sendo feita.

A carta deve ser preferencialmente digitada, pois facilita a leitura e evita equívocos.

Veja um exemplo:



Remetente:
João da Silva
Rua dos Joaquins, nº 01, Bairro JJ
000-000 Campinas do Sul

Destinatário:                
COMPUTERLY, LTDA.
Rua do equívoco, nº 2
0000-000 Campinas do Sul


Campinas do Sul, 29 de Fevereiro de 2009.

Assunto: computador entregue com estragos aparentes


Exmo(s). Senhor (es),


No último dia 05 de Fevereiro, dirigi-me ao seu estabelecimento, situado na Rua do equívoco, nº 2, como endereçado, a fim de comprar um computador. Após escolher o modelo que me interessou, solicitei que a mercadoria fosse entregue na minha casa. Para tanto, assinei a nota de encomenda e paguei a taxa para que fosse realizado o serviço. No dia 10 do mesmo mês, foi-me entregue o computador encomendado, no entanto, após ligar o aparelho na tomada constatei que o mesmo emitia mais de 8 apitos e não funcionava.
Diante deste fato, recusei o computador e solicitei que me fosse enviado outro exemplar em excelente estado, o que faria jus ao valor já pago. Entretanto, até a presente data continuo à espera.
O atraso na resolução do problema vem ocasionado vários transtornos ao meu cotidiano. Por este motivo, demando que outro computador de mesma marca e modelo seja entregue, sem falta, dentro de 3 dias úteis. Caso contrário, anularei a compra e exijo o dinheiro do pagamento de volta.

Sem mais,

João da Silva.

Anexos: fotocópias da nota fiscal de compra e do recibo da taxa de entrega.
Importante: Sempre tenha uma cópia e caso entregue em mão, solicite a assinatura de quem recebeu com a data, se possível carimbada (no caso de empresa).





Carta de solicitação

A carta de solicitação faz parte das cartas comerciais e deverá possuir: timbre da empresa, iniciais do departamento, número da carta, local e data, destinatário, referência, assunto, saudação, corpo do texto, despedida e assinatura.

O objetivo desse tipo de carta, como o próprio nome já diz, é fazer um pedido (solicitar algo) ao destinatário.

Veja um exemplo:



Timbre da empresa
Dep. de vendas
Nº 02/09


Ao Diretor do Dep.de Faturamento
João Esleveriano da Costa


Recife, _____ de fevereiro de 2009.


Prezado Senhor,
Solicito a esse departamento, do qual V.Sª. é diretor, que tenha a gentileza de enviar-me a tabela de faturamento do último mês, a fim de que possamos conferir algumas vendas realizadas.

Antecipo-lhe meus agradecimentos, certo de que serei prontamente atendido, dada a eficiência desta seção.

Subscrevo-me.


Cordialmente,

Antonie Bernardo da Luz.
Chefe do departamento de vendas.



Há alguns sinônimos que podem ser utilizados: estimado senhor, peço-lhe o obséquio de, peço-lhe a gentileza, solicito a V.Sª. a especial fineza de, informar-me, comunicar-me, desde já, apresento-lhe meus agradecimentos, antecipadamente grato, me firmo.


Carta - Carta do leitor - Carta Argumentativa - Carta comercial - Carta de informação - Carta de Reclamação - Carta de solicitação - Redação




Carta

Cartas pessoais é uma das opções existentes.

Quando queremos solicitar algo para alguém ou responder uma solicitação, fazer uma declaração de amor, despedirmo-nos, argumentar algo que foi dito, escrever diretamente a um leitor de revista ou jornal, contar novidades para o amigo que mora distante, fazer uma comunicação de um fato...ali está a carta!

Essa forma de produção textual existe desde que o homem necessita de comunicação à distância ou, mais precisamente, desde as inscrições rupestres, as quais eram cartas em forma de símbolos.

Aqui no Brasil, temos a carta-registro de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal Dom Manuel I, relatando o descobrimento das novas terras.

As cartas ditas “sociais” eram mais comuns antes do advento da tecnologia. No entanto, com a evolução da informática, hoje temos o e-mail, veículo de informação que transporta vários tipos de cartas a todo o momento.

Atualmente, é muito difícil encontrar pessoas que troquem correspondências escritas à mão. Ao contrário, elas se falam por meio do correio eletrônico, que não precisa nem mesmo de selo, ou seja, de ser pago.

Nessa seção você encontrará as características dos diversos tipos de carta: comercial, pessoal, formal, informal, de amor, de despedida, argumentativa, ao leitor, resposta.



A Carta do leitor

A carta do leitor é uma maneira de fazer parte da opinião pública!

Você já observou que nos jornais e revistas há um espaço reservado para que a opinião dos leitores seja publicada?

Estamos falando das cartas dos leitores, as quais mostram opiniões e sugestões; debatem os argumentos levantados nos artigos e fazem críticas a respeito; trazem perguntas, reflexões, elogios, incentivos, etc.

Para o leitor é o meio de expor seu ponto de vista em relação ao assunto lido, para o veículo de informação é uma arma publicitária para saber o que está agradando a opinião pública.

Não há regras estabelecidas para se fazer uma carta no estilo “carta do leitor”, a não ser as que já são preconizadas, ou seja, recomendadas ao escrevermos a alguém: especifique o assunto e seja breve; trace previamente o objetivo da carta (opinar, sugerir, debater); escreva em uma linguagem clara, precisa e nunca faça uso de palavras de baixo calão, pois sua carta não será publicada!

O objetivo do leitor ao escrever uma carta para um jornal da cidade ou uma revista de circulação nacional é tornar pública sua ideia e se sentir parte da informação. A carta do leitor é tão importante que pode ser fonte para uma nova notícia, uma vez que ao expor suas considerações a respeito de um assunto, o destinatário pode acrescentar outros fatos igualmente interessantes que estejam acontecendo e possam ser abordados!

Deve-se ter muito cuidado ao redigir uma carta, pois será lida por muitas pessoas. Por isso, revise o texto e observe com atenção se há clareza nas frases, se os períodos não estão muito longos e se não há repetições de ideias ou palavras, se há erros de pontuação e grafia.

Importante: Não se preocupe apenas em dizer o que pensa, o que acha, mas dê seu ponto de vista sempre explicando com muito cautela, e se expuser fatos, tenha certeza que são verdadeiros.



Carta Argumentativa

Com o advento da internet e dos recursos tecnológicos de uma maneira geral, a forma de comunicação entre as pessoas mudou consideravelmente. Antigamente, era muito usual utilizar-se de cartas, telegramas, cartões postais para se comunicar com pessoas que ora encontravam-se distantes.

Atualmente existe e-mail, MSN, ORKUT, e tantos outros que possibilitam a comunicação em tempo real. Entretanto, a carta argumentativa ainda continua sendo um veículo de comunicação muito importante e muito requisitado nos concursos e provas de vestibulares.

Para entendermos sobre a sua parte estrutural, é importante lembrarmos que, como o próprio diz, nos lembra a questão de exposição de ideias, ou seja, o emissor deve persuadir o interlocutor através do seu ponto de vista sobre determinado assunto. E logo, a linguagem deverá ser clara, coesa e objetiva.
A única diferença é que na carta há uma interlocução explícita, ou seja, ela é destinada a um ou mais destinatários de forma específica.
O grau de formalidade dependerá do nível de intimidade estabelecido entre os interlocutores.

Para entendermos melhor esse processo é necessário fazer a distinção entre uma carta destinada ao prefeito de sua cidade requisitando melhorias no setor de pavimentação das ruas, e uma ao presidente de seu bairro, sugerindo melhoria na qualidade do som durante as reuniões.
Neste caso, fica evidente o grau de formalismo.

Vejamos agora um exemplo deste gênero textual, que é a carta, em uma crônica de Moacyr Scliar:

(Nome da cidade e data)
(O vocativo, ou seja, a pessoa a quem é endereçada a carta)

PREZADOS SENHORES,

Uns amigos me falaram que os senhores estão para destruir 45 mil pares de tênis falsificados com a marca Nike e que, para esse fim, uma máquina especial já teria até sido adquirida. A razão desta cartinha é um pedido. Um pedido muito urgente.
Antes de mais nada, devo dizer aos senhores que nada tenho contra a destruição de tênis, ou de bonecas Barbie, ou de qualquer coisa que tenha sido pirateada. Afinal, a marca é dos senhores, e quem usa essa marca indevidamente sabe que está correndo um risco. Destruam, portanto. Com a máquina, sem a máquina, destruam. Destruir é um direito dos senhores.
Mas, por favor, reservem um par, um único par desses tênis que serão destruídos para este que vos escreve. Este pedido é motivado por duas razões: em primeiro lugar, sou um grande admirador da marca Nike, mesmo falsificada. Aliás, estive olhando os tênis pirateados e devo confessar que não vi grande diferença deles para os verdadeiros.
Em segundo lugar, e isto é o mais importante, sou pobre, pobre e ignorante. Quem está escrevendo esta carta para mim é um vizinho, homem bondoso. Ele vai inclusive colocá-la no correio, porque eu não tenho dinheiro para o selo. Nem dinheiro para selo, nem para qualquer outra coisa: sou pobre como um rato. Mas a pobreza não impede de sonhar, e eu sempre sonhei com um tênis Nike. Os senhores não têm ideia de como isso será importante para mim. Meus amigos, por exemplo, vão me olhar de outra maneira se eu aparecer de Nike. Eu direi, naturalmente, que foi presente (não quero que pensem que andei roubando), mas sei que a admiração deles não diminuirá: afinal, quem pode receber um Nike de presente pode receber muitas outras coisas. Verão que não sou o coitado que pareço.
Uma última ponderação: a mim não importa que o tênis seja falsificado, que ele leve a marca Nike sem ser Nike. Porque, vejam, tudo em minha vida é assim. Moro num barraco que não pode ser chamado de casa, mas, para todos os efeitos, chamo-o de casa.
Uso a camiseta de uma universidade americana, com dizeres em inglês, que não entendo, mas nunca estive nem sequer perto da universidade – é uma camiseta que encontrei no lixo. E assim por diante.
Mandem-me, por favor, um tênis. Pode ser tamanho grande, embora eu tenha pé pequeno. Não me desagradaria nada fingir que tenho pé grande. Dá à pessoa uma certa importância. E depois, quanto maior o tênis, mais visível ele é. E, como diz o meu vizinho aqui, visibilidade é tudo na vida.


Atenciosamente – (despedida formal)

(O nome do emissor, isto é, a pessoa que enviou a carta)



Carta comercial

A carta comercial, também chamada de correspondência técnica, é um documento com objetivo de se fazer uma comunicação comercial, empresarial.

A redação comercial tem como características comuns:

a) clareza: o texto, além de ser claro, deve ser objetivo, como forma de evitar múltiplas interpretações, o que prejudica os comunicados e negócios.

b) estética: a fim de causar boa impressão, o texto deve estar bem organizado e dentro da estruturação cabível. Não pode haver rasuras ou “sujeiras” impregnadas ao papel.

c) linguagem: seja conciso e objetivo: passe as informações necessárias, sem ficar usufruindo de recursos estilísticos. Seja impessoal, ou seja, não faça uso da subjetividade e de sentimentalismo. E por fim, escreva com simplicidade, mas observando a norma culta da língua.

É muito importante que haja correção, pois um possível equívoco pode gerar desentendimento entre as partes e possíveis prejuízos de ordem financeira.

Como fazer uma carta comercial? Vejamos a estrutura que deve ser seguida:

1º passo: O papel deve ter o timbre e/ou cabeçalho, com as informações necessárias (nome, endereço, logotipo da empresa). Normalmente, já vem impresso.

2º passo: Coloque o nome da localidade e data à esquerda e abaixo do timbre. Coloque vírgula depois do nome da cidade! O mês deve vir em letra minúscula, o ano dever vir junto (2008), sem ponto ou espaço. Use ponto final após a data.

3º passo: Escreva o nome e o endereço do destinatário à esquerda e abaixo da localidade e data.

4º passo: Coloque um vocativo impessoal: Prezado(s) Senhor(Senhores), Caro cliente, Senhor diretor, Senhor Gerente, etc.

5º passo: Inicie o texto fazendo referência ao assunto, tais como: “Com relação a...”, “Em atenção à carta enviada..”, “Em atenção ao anúncio publicado...”, “Atendendo à solicitação...”, “Em cumprimento a...”, “Com relação ao pedido...”, “Solicito que...”, “Confirmamos o recebimento”, dentre outras.

Observação: Evite iniciar com “Através desta”, “Solicito através desta”, “Pela presente” e similares, pois são expressões pleonásticas, uma vez que está claro que o meio de comunicação adotado é a carta.

6º passo: Exponha o texto, como dito anteriormente, de forma clara e objetiva. Pode-se fazer abreviações do pronome de tratamento ao referir-se ao destinatário: V.Sª.; V. Exa.; Exmo.; Sr.; etc.

7º passo: Corresponde ao fecho da carta, o qual é o encerramento da mesma. Despeça-se em tom amigável: Cordialmente, Atenciosamente, Respeitosamente, Com elevado apreço, Saudações cordiais, etc.

Observação: Evite terminar a carta anunciando tal fato (Termino esta) ou de forma muito direta (Sem mais para o momento, despeço-me).

Modelo de carta comercial

Loja da Maria

Maria e Cia. Ltda.
Comércio de utensílios
Av. João, 1000
Goiânia – GO
Goiânia, 03 de março de 2008.
Ao diretor
Joaquim Silva
Rua das Amendoeiras, 600
Belo Horizonte – MG


Prezado Senhor:

         Confirmamos ter recebido uma reivindicação de depósito no valor três mil reais referente ao mês de fevereiro. Informamo-lhe que o referido valor foi depositado no dia 1º de março, na agência 0003, conta corrente 3225, Banco dos empresários. Por favor, pedimos que o Sr. verifique o extrato e nos comunique o pagamento. Pedimos escusas por não termos feito o depósito anteriormente, mas não tínhamos ainda a nova conta bancária.
         Nada mais havendo, reafirmamos os nossos protestos de elevada estima e consideração.
Atenciosamente,

Amélia Sousa
Gerente comercial






Carta de informação

A carta de informação está inserida dentro do contexto comercial, pois, normalmente, é trocada entre departamentos de uma mesma empresa ou entre empresa e seus representantes e fornecedores.

O objetivo deste canal de comunicação faz referência à sua própria denominação: informar o destinatário sobre alguma coisa.

Veja um exemplo:

Estimados Senhores,

Comunicamos-lhes que no dia 03 do corrente mês haverá uma reunião dos departamentos financeiro e contábil com a diretoria. Na ocasião, haverá premiação aos melhores vendedores, bem como do contador mais organizado. Por este motivo, as outras seções estão convidadas a prestigiar os colegas a partir das 9 horas da manhã, na sala de reuniões.

Agradecemos-lhes a atenção.



Cordialmente,


Diretoria da X2 empresa de cosméticos.







Carta de Reclamação

A carta de reclamação é utilizada quando o remetente descreve um problema ocorrido a um destinatário que pode resolvê-lo. É considerado um texto persuasivo, pois o interlocutor tenta convencer o receptor da mensagem a encontrar uma solução para o problema apontado na carta.

Por este motivo, quem reclama deve se utilizar de um discurso argumentativo: descrevendo de maneira clara o(s) problema(s), motivo(s) pelo qual pode ter ocorrido, as consequências se não for resolvido. A exposição dos fatos deve comprovar que o remetente é quem tem razão, o qual pode ainda, apontar as possíveis soluções para que haja entendimento entre as partes.

É essencial que a carta de reclamação tenha: identificação do remetente e do destinatário, data e local, assinatura, documentos em anexo (caso necessário).

Lembre-se de expor claramente os antecedentes, pois neles estão os motivos pelos quais a reclamação está sendo feita.

A carta deve ser preferencialmente digitada, pois facilita a leitura e evita equívocos.

Veja um exemplo:



Remetente:
João da Silva
Rua dos Joaquins, nº 01, Bairro JJ
000-000 Campinas do Sul

Destinatário:              
COMPUTERLY, LTDA.
Rua do equívoco, nº 2
0000-000 Campinas do Sul


Campinas do Sul, 29 de Fevereiro de 2009.

Assunto: computador entregue com estragos aparentes


Exmo(s). Senhor (es),


No último dia 05 de Fevereiro, dirigi-me ao seu estabelecimento, situado na Rua do equívoco, nº 2, como endereçado, a fim de comprar um computador. Após escolher o modelo que me interessou, solicitei que a mercadoria fosse entregue na minha casa. Para tanto, assinei a nota de encomenda e paguei a taxa para que fosse realizado o serviço. No dia 10 do mesmo mês, foi-me entregue o computador encomendado, no entanto, após ligar o aparelho na tomada constatei que o mesmo emitia mais de 8 apitos e não funcionava.
Diante deste fato, recusei o computador e solicitei que me fosse enviado outro exemplar em excelente estado, o que faria jus ao valor já pago. Entretanto, até a presente data continuo à espera.
O atraso na resolução do problema vem ocasionado vários transtornos ao meu cotidiano. Por este motivo, demando que outro computador de mesma marca e modelo seja entregue, sem falta, dentro de 3 dias úteis. Caso contrário, anularei a compra e exijo o dinheiro do pagamento de volta.

Sem mais,

João da Silva.

Anexos: fotocópias da nota fiscal de compra e do recibo da taxa de entrega.
Importante: Sempre tenha uma cópia e caso entregue em mão, solicite a assinatura de quem recebeu com a data, se possível carimbada (no caso de empresa).





Carta de solicitação

A carta de solicitação faz parte das cartas comerciais e deverá possuir: timbre da empresa, iniciais do departamento, número da carta, local e data, destinatário, referência, assunto, saudação, corpo do texto, despedida e assinatura.

O objetivo desse tipo de carta, como o próprio nome já diz, é fazer um pedido (solicitar algo) ao destinatário.

Veja um exemplo:



Timbre da empresa
Dep. de vendas
Nº 02/09


Ao Diretor do Dep.de Faturamento
João Esleveriano da Costa


Recife, _____ de fevereiro de 2009.


Prezado Senhor,
Solicito a esse departamento, do qual V.Sª. é diretor, que tenha a gentileza de enviar-me a tabela de faturamento do último mês, a fim de que possamos conferir algumas vendas realizadas.

Antecipo-lhe meus agradecimentos, certo de que serei prontamente atendido, dada a eficiência desta seção.

Subscrevo-me.


Cordialmente,

Antonie Bernardo da Luz.
Chefe do departamento de vendas.



Há alguns sinônimos que podem ser utilizados: estimado senhor, peço-lhe o obséquio de, peço-lhe a gentileza, solicito a V.Sª. a especial fineza de, informar-me, comunicar-me, desde já, apresento-lhe meus agradecimentos, antecipadamente grato, me firmo.


terça-feira, 9 de abril de 2013

Exemplos de Textos do Cotidiano - Cartão-postal - Convite - Texto instrucional (injuntivo) - Bilhete - Carta - E-mail - Matéria Português





Cartão-postal

O cartão-postal é formado por um curto texto se comparado ao texto da carta. Os assuntos nele tratados são importantes apenas para os correspondentes, pois são trivialidades, por exemplo, uma explicação acerca da imagem que ilustra o cartão-postal, informações sobre o remetente ou uma correspondência.

É composto pelos seguintes elementos: local, data, vocativo, mensagem (em linguagem formal ou não) e assinatura do emissor. Geralmente o vocativo e a assinatura utilizados no cartão-postal são mais íntimos do que os utilizados na carta e esse fato explica a proximidade entre os correspondentes.

Rio de Janeiro, 20/05/2005.

Renatinha,

A Cidade Maravilhosa é linda. Estou encantada! Andei de bondinho e achei incrível. Estou adorando minha nova cidade e espero você aqui para uma visita. Viu?

Beijos!

Sua amiga
Vivi.




Convite

O convite é o gênero textual que busca chamar alguém para algum evento, por exemplo: festa de confraternização da empresa, aniversários, casamentos, chá de bebê etc. Nele precisa conter qual é o evento, a data, hora e o local em que será realizado.



CONTO COM VOCÊ!

Farei 7 aninhos e desejo que você venha à minha festinha de aniversário.

LOCAL: Rua das Palmeiras, nº 9 – Santo Amaro.
DATA: 27/05/2005.
HORA: 16:00

Não esqueça!

Henrique



Texto instrucional (injuntivo)

Esse tipo textual é muito comum no cotidiano e tem a função de informar instruindo o leitor na execução de determinada tarefa. São textos injuntivos: manuais em geral, bulas de remédio, receitas etc. Assim, todo o texto que dá instruções ao leitor é instrucional. Por essa função, esse texto não traz argumentos, narração ou debates, pois apenas orienta.

Receita de bolo simples

Ingredientes

2 xícaras de açúcar
3 xícaras de farinha de trigo
4 colheres de margarina bem cheias
3 ovos
1 1/2 xícara de leite aproximadamente
1 colher (sopa) de fermento em pó bem cheia

Modo de preparo

Bata as claras em neve e reserve.
Bata bem as gemas com a margarina e o açúcar, acrescente o leite e farinha aos poucos sem parar de bater; por último agregue as claras em neve e o fermento.
Coloque a massa em uma forma grande de furo central untada e enfarinhada.
Asse em forno médio, pré-aquecido, por aproximadamente 40 minutos.
Quando espetar um palito e sair limpo estará assado.



Bilhete

O gênero textual bilhete é utilizado para transmitir uma mensagem curta ou um recado e precisa conter os seguintes elementos: destinatário (a pessoa que receberá o bilhete), mensagem, nome legível do emissor e data.

Exemplo:

Mãe,

Precisei ir ao shopping pagar uma prestação. Retorno às 17 horas.

Rafaela.
25/05/2005.




Carta

A carta integra um serviço postal prestado pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) a fim de facilitar o aceso a esses serviços por todas as camadas da população. A carta social é destinada apenas às pessoas físicas, seja remetente ou destinatário e se fora do envelope for colocado a inscrição “carta social” o remetente paga apenas R$ 0,01, entretanto, essa correspondência não pode ultrapassar 10 gramas. Para mais informações acesse a página do Correios.

A carta pessoal é enviada a alguém que você conhece e necessita conter local e data, vocativo, mensagem e emissor.

Exemplo:

        Washington, 25 setembro 1954, sábado.

         Fernando,

         Estou com a impressão meio inventada de que você ficou zangado quando eu disse pelo telefone que não queria que você fosse ao aeroporto. Você ficou de telefonar à 1:30, e não telefonou. Fiquei amolada com a minha falta de cortesia, respondendo à sua gentileza com uma sinceridade ou franqueza que ninguém usa. Você gentilmente mostrou intenção declarada ou vaga de ir ao aeroporto, e eu, que tanto faço questão de não usar a alma na vida diária, pois é até de mau gosto, disse que não. Eu já lhe expliquei o motivo da minha rudeza -o que não a justifica- e explicarei de novo.
         Para mim, sair do Brasil é uma coisa séria e, por mais ‘fina’ que eu queira ser, na hora de ir embora choro mesmo. E não gosto que me vejam assim, embora se trate de lágrima bem-comportada, de lágrima de artista de segundo plano, sem permissão do diretor para arrumar os cabelos… Não é por vaidade de rosto que não gosto que me vejam de olhos vermelhos, é por uma vaidade que, por ser menos frívola, é muito mais pecado: é por orgulho ou altivez ou seja lá o que for -enfim, vaidade mais grave.
         Depois, também, eu me encabulo de estar sempre chegando e indo embora, o que obriga os amigos a um movimento em torno de mim, um movimento que às vezes nem cabe direito na vida deles. Então procuro dispensar a gentileza dos amigos, e facilitar a vida diária de cada um que já é bastante cheia e complicada sem uma ida ao aeroporto.
         Maury diz que eu costumo ter reações pessoais a coisas chamadas ‘de praxe’. Parece que é mesmo verdade. Parece que eu seria capaz de pedir sinceramente a alguém que não apanhasse minha luva caída no chão para não amolar esse alguém, sem entender que incômodo é não apanhá-la, que incômodo é não fazer o que é ‘de praxe’. (O exemplo da luva é só para exagerar, até que deixo apanharem minhas luvas, senão perderia todas…)
         Quanta explicação! E provavelmente você nem ficou zangado com minha descortesia, provavelmente você não telefonou depois porque estava ocupado. É o que espero que tenha acontecido. Esperando também que você não ria das tolas e inúteis complicações de sua amiga.

Clarice

LISPECTOR, Clarice, SABINO, Fernando. Cartas perto do coração. Dois jovens escritores unidos ante o mistério da criação. 6a ed. São Paulo, Rio de Janeiro: Record, 2007, p.118.



E-mail

Na contemporaneidade, a maioria das pessoas opta por enviar e-mail e essa palavra serve tanto para denominar uma mensagem enviada via internet ou um endereço eletrônico de alguém.

Exemplo:

-----Mensagem original---

De: Keli Young [mailto:keyoung@jeunex.com.fr]
Enviada em: quinta-feira, 4 de novembro de 2004 22:10
Para: Carolmat@zoom.com.br
Assunto: c já Sab nehh!!

Oiiiiiiiiiiii caroooooooollllll!!!!!

c eh amiga pra todas as horas... c eh o serzinhu maaaais tudu desse mundoo...



Ti amuuuu MTU!!!!!!!!... nunca vo t esueceeee di vdd!!!... c marcoo mtooo minha vida... e meuu*nada acontece por acaso*... c já sab nehh!!!

daki t conto dpois... paris eh um barato... o ape eh mto legau... as guria são 10... conheci um fofo de Sampa no aviao... ahUAHuahu... nem t conto... mtu mtu mtu td...

ahUAHuahu jah fui nu cena....... eh xou!!!!...... td mtu!!!!!!! Num a torre ainda..............

eu tava mexendo no meu pc aki hj e... Carol do céu!!!!... axei essa fotenha que c mandou ano passado... eh a foto mais feia d todos os tempo..ahUAHuahu..mas tah valendo... nossa...lembra q nesse dia tava uma BANDINHA lah na frent do shopping??.. ahauuHUA.. lembra q a genti tava tentando descer a escada rolante q sob?? ahUAHuahu... só naum lembro qm foi primeiro e levo um chingaum... aIAHuahu... foi td nesse dia..q saudad!!!!... Carol.. c eh taum fofa q eu nunk consigu falar seriaum com c...mas agora eu quero te falar seriaum q eu ti amo mtu mtu mtu... e q c eh MTU importanti pra mim!!!!!!..d verdad!!!!!..manda um abraçaum bem fort pra todas aih!!!.. bjaum!!!!!

Mew te curtu muito... c eh xou!!!

E c ja ta cansada d sabe q eu to aki praa tuudo..pra todas as horasss...

Keli

MORAES, Marco Antônio de (Org.). Antologia da carta no Brasil: me escreva tão logo que possa. São Paulo: Moderna, 2005. p.153.

Repare que no e-mail de Keli muitas palavras foram escritas de maneira diferente da norma-culta da língua portuguesa, entretanto, essa forma de escrever tem se tornado comum entre jovens e adolescentes durantes suas comunicações informais na internet, a essa forma de escrever dá-se o nome de internetês. Vale ressaltar que o uso dessa linguagem somente é permitido em situações informais de uso da língua.

Observe que no próximo exemplo a linguagem utilizada no e-mail já segue um estilo diferente da utilizada por Keli. Desta vez, o poeta Rodrigo Ponts envia um e-mail para seu irmão Ricardo, no ano de 2003, um ano antes de Rodrigo falecer.

Sampa, 6 de abril de 2003.

Rique, meu irmãozinho.

comecemos já-já e aqui-aqui, então,
aquela nossa prometida correspondência,
a q. combinamos antes da minha retomada
da nova-vida-antiga, lembrado?

estava querendo te escrever faz tempo, já,
mas a correria ‘tá bem grande e bem boa,
e quando eu tinha tempo,
estava tão cansado q. preferia dormir um pouco.
mas hj é domingo, meus cinemas naum deram certo, q.
esperei o ônibus mais de uma hora e nada
e acabei desistindo de sair, e fiquei o dia todo em casa,
lendo, principalmente,
q. navegar é preciso e tem muita água pela nossa frente.

tenho tanta-muita coisa pra contaar,
tantos-muitos projetos q. quero começar –
alguns (de estudo) com vc. –,
tantas perguntas e muitas saudades,
q. bem provável esta carta fique sem pé nem cabeça,
ou uma misturada daquelas complicadíssimas.
então, sem planejar nada,
conto o q. primeiro me vem à mente.

[...]

um beijo,
q. eu já ‘tô cansado
e tenho que terminar de ler um texto enorme
(uma peça de teatro do Anchieta).

me escreva tão logo que possa.
beije a mãe, naum esqueça.

MORAES, Marco Antônio de (Org.). Antologia da carta no Brasil: me escreva tão logo que possa. São Paulo: Moderna, 2005. p.37.

Exemplos de Textos do Cotidiano - Cartão-postal - Convite - Texto instrucional (injuntivo) - Bilhete - Carta - E-mail - Matéria Português



Cartão-postal

O cartão-postal é formado por um curto texto se comparado ao texto da carta. Os assuntos nele tratados são importantes apenas para os correspondentes, pois são trivialidades, por exemplo, uma explicação acerca da imagem que ilustra o cartão-postal, informações sobre o remetente ou uma correspondência.

É composto pelos seguintes elementos: local, data, vocativo, mensagem (em linguagem formal ou não) e assinatura do emissor. Geralmente o vocativo e a assinatura utilizados no cartão-postal são mais íntimos do que os utilizados na carta e esse fato explica a proximidade entre os correspondentes.

Rio de Janeiro, 20/05/2005.

Renatinha,

A Cidade Maravilhosa é linda. Estou encantada! Andei de bondinho e achei incrível. Estou adorando minha nova cidade e espero você aqui para uma visita. Viu?

Beijos!

Sua amiga
Vivi.




Convite

O convite é o gênero textual que busca chamar alguém para algum evento, por exemplo: festa de confraternização da empresa, aniversários, casamentos, chá de bebê etc. Nele precisa conter qual é o evento, a data, hora e o local em que será realizado.



CONTO COM VOCÊ!

Farei 7 aninhos e desejo que você venha à minha festinha de aniversário.

LOCAL: Rua das Palmeiras, nº 9 – Santo Amaro.
DATA: 27/05/2005.
HORA: 16:00

Não esqueça!

Henrique



Texto instrucional (injuntivo)

Esse tipo textual é muito comum no cotidiano e tem a função de informar instruindo o leitor na execução de determinada tarefa. São textos injuntivos: manuais em geral, bulas de remédio, receitas etc. Assim, todo o texto que dá instruções ao leitor é instrucional. Por essa função, esse texto não traz argumentos, narração ou debates, pois apenas orienta.

Receita de bolo simples

Ingredientes

2 xícaras de açúcar
3 xícaras de farinha de trigo
4 colheres de margarina bem cheias
3 ovos
1 1/2 xícara de leite aproximadamente
1 colher (sopa) de fermento em pó bem cheia

Modo de preparo

Bata as claras em neve e reserve.
Bata bem as gemas com a margarina e o açúcar, acrescente o leite e farinha aos poucos sem parar de bater; por último agregue as claras em neve e o fermento.
Coloque a massa em uma forma grande de furo central untada e enfarinhada.
Asse em forno médio, pré-aquecido, por aproximadamente 40 minutos.
Quando espetar um palito e sair limpo estará assado.


Bilhete

O gênero textual bilhete é utilizado para transmitir uma mensagem curta ou um recado e precisa conter os seguintes elementos: destinatário (a pessoa que receberá o bilhete), mensagem, nome legível do emissor e data.

Exemplo:

Mãe,

Precisei ir ao shopping pagar uma prestação. Retorno às 17 horas.

Rafaela.
25/05/2005.


Carta

A carta integra um serviço postal prestado pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) a fim de facilitar o aceso a esses serviços por todas as camadas da população. A carta social é destinada apenas às pessoas físicas, seja remetente ou destinatário e se fora do envelope for colocado a inscrição “carta social” o remetente paga apenas R$ 0,01, entretanto, essa correspondência não pode ultrapassar 10 gramas. Para mais informações acesse a página do Correios.

A carta pessoal é enviada a alguém que você conhece e necessita conter local e data, vocativo, mensagem e emissor.

Exemplo:

        Washington, 25 setembro 1954, sábado.

         Fernando,

         Estou com a impressão meio inventada de que você ficou zangado quando eu disse pelo telefone que não queria que você fosse ao aeroporto. Você ficou de telefonar à 1:30, e não telefonou. Fiquei amolada com a minha falta de cortesia, respondendo à sua gentileza com uma sinceridade ou franqueza que ninguém usa. Você gentilmente mostrou intenção declarada ou vaga de ir ao aeroporto, e eu, que tanto faço questão de não usar a alma na vida diária, pois é até de mau gosto, disse que não. Eu já lhe expliquei o motivo da minha rudeza -o que não a justifica- e explicarei de novo.
         Para mim, sair do Brasil é uma coisa séria e, por mais ‘fina’ que eu queira ser, na hora de ir embora choro mesmo. E não gosto que me vejam assim, embora se trate de lágrima bem-comportada, de lágrima de artista de segundo plano, sem permissão do diretor para arrumar os cabelos… Não é por vaidade de rosto que não gosto que me vejam de olhos vermelhos, é por uma vaidade que, por ser menos frívola, é muito mais pecado: é por orgulho ou altivez ou seja lá o que for -enfim, vaidade mais grave.
         Depois, também, eu me encabulo de estar sempre chegando e indo embora, o que obriga os amigos a um movimento em torno de mim, um movimento que às vezes nem cabe direito na vida deles. Então procuro dispensar a gentileza dos amigos, e facilitar a vida diária de cada um que já é bastante cheia e complicada sem uma ida ao aeroporto.
         Maury diz que eu costumo ter reações pessoais a coisas chamadas ‘de praxe’. Parece que é mesmo verdade. Parece que eu seria capaz de pedir sinceramente a alguém que não apanhasse minha luva caída no chão para não amolar esse alguém, sem entender que incômodo é não apanhá-la, que incômodo é não fazer o que é ‘de praxe’. (O exemplo da luva é só para exagerar, até que deixo apanharem minhas luvas, senão perderia todas…)
         Quanta explicação! E provavelmente você nem ficou zangado com minha descortesia, provavelmente você não telefonou depois porque estava ocupado. É o que espero que tenha acontecido. Esperando também que você não ria das tolas e inúteis complicações de sua amiga.

Clarice

LISPECTOR, Clarice, SABINO, Fernando. Cartas perto do coração. Dois jovens escritores unidos ante o mistério da criação. 6a ed. São Paulo, Rio de Janeiro: Record, 2007, p.118.



E-mail

Na contemporaneidade, a maioria das pessoas opta por enviar e-mail e essa palavra serve tanto para denominar uma mensagem enviada via internet ou um endereço eletrônico de alguém.

Exemplo:

-----Mensagem original---

De: Keli Young [mailto:keyoung@jeunex.com.fr]
Enviada em: quinta-feira, 4 de novembro de 2004 22:10
Para: Carolmat@zoom.com.br
Assunto: c já Sab nehh!!

Oiiiiiiiiiiii caroooooooollllll!!!!!

c eh amiga pra todas as horas... c eh o serzinhu maaaais tudu desse mundoo...



Ti amuuuu MTU!!!!!!!!... nunca vo t esueceeee di vdd!!!... c marcoo mtooo minha vida... e meuu*nada acontece por acaso*... c já sab nehh!!!

daki t conto dpois... paris eh um barato... o ape eh mto legau... as guria são 10... conheci um fofo de Sampa no aviao... ahUAHuahu... nem t conto... mtu mtu mtu td...

ahUAHuahu jah fui nu cena....... eh xou!!!!...... td mtu!!!!!!! Num a torre ainda..............

eu tava mexendo no meu pc aki hj e... Carol do céu!!!!... axei essa fotenha que c mandou ano passado... eh a foto mais feia d todos os tempo..ahUAHuahu..mas tah valendo... nossa...lembra q nesse dia tava uma BANDINHA lah na frent do shopping??.. ahauuHUA.. lembra q a genti tava tentando descer a escada rolante q sob?? ahUAHuahu... só naum lembro qm foi primeiro e levo um chingaum... aIAHuahu... foi td nesse dia..q saudad!!!!... Carol.. c eh taum fofa q eu nunk consigu falar seriaum com c...mas agora eu quero te falar seriaum q eu ti amo mtu mtu mtu... e q c eh MTU importanti pra mim!!!!!!..d verdad!!!!!..manda um abraçaum bem fort pra todas aih!!!.. bjaum!!!!!

Mew te curtu muito... c eh xou!!!

E c ja ta cansada d sabe q eu to aki praa tuudo..pra todas as horasss...

Keli

MORAES, Marco Antônio de (Org.). Antologia da carta no Brasil: me escreva tão logo que possa. São Paulo: Moderna, 2005. p.153.

Repare que no e-mail de Keli muitas palavras foram escritas de maneira diferente da norma-culta da língua portuguesa, entretanto, essa forma de escrever tem se tornado comum entre jovens e adolescentes durantes suas comunicações informais na internet, a essa forma de escrever dá-se o nome de internetês. Vale ressaltar que o uso dessa linguagem somente é permitido em situações informais de uso da língua.

Observe que no próximo exemplo a linguagem utilizada no e-mail já segue um estilo diferente da utilizada por Keli. Desta vez, o poeta Rodrigo Ponts envia um e-mail para seu irmão Ricardo, no ano de 2003, um ano antes de Rodrigo falecer.

Sampa, 6 de abril de 2003.

Rique, meu irmãozinho.

comecemos já-já e aqui-aqui, então,
aquela nossa prometida correspondência,
a q. combinamos antes da minha retomada
da nova-vida-antiga, lembrado?

estava querendo te escrever faz tempo, já,
mas a correria ‘tá bem grande e bem boa,
e quando eu tinha tempo,
estava tão cansado q. preferia dormir um pouco.
mas hj é domingo, meus cinemas naum deram certo, q.
esperei o ônibus mais de uma hora e nada
e acabei desistindo de sair, e fiquei o dia todo em casa,
lendo, principalmente,
q. navegar é preciso e tem muita água pela nossa frente.

tenho tanta-muita coisa pra contaar,
tantos-muitos projetos q. quero começar –
alguns (de estudo) com vc. –,
tantas perguntas e muitas saudades,
q. bem provável esta carta fique sem pé nem cabeça,
ou uma misturada daquelas complicadíssimas.
então, sem planejar nada,
conto o q. primeiro me vem à mente.

[...]

um beijo,
q. eu já ‘tô cansado
e tenho que terminar de ler um texto enorme
(uma peça de teatro do Anchieta).

me escreva tão logo que possa.
beije a mãe, naum esqueça.

MORAES, Marco Antônio de (Org.). Antologia da carta no Brasil: me escreva tão logo que possa. São Paulo: Moderna, 2005. p.37.